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HIBRIDAÇÕES entre a cultura e a natureza

Curadoria e Expografia: Cristiano Lemes

O trabalho de Fabiana Queiroga tem se destacado por trânsitos plurais em disciplinas da produção visual contemporânea como arte, design, moda e arquitetura. Desse modo, depreendendo-se

multiplicidade de apreensões que tais campos de conhecimento oferecem para a reinvenção de si mesma. Assim, o trabalho da artista passa a construir exercícios híbridos em que tecnologia e artesania fundem-se para materializar relações concomitantes de figuração e abstração, design e natureza, particular e coletivo, dentro e fora, ambiência e estrutura; características comumente apresentadas como oposições, mas que Queiroga manipula como junções.

 

Destarte, independentemente da dimensão em que são produzidos, os objetos da artista trazem relações de escalas que permitem o corpo do observador equalizar sensações de ambiência e materialidade no âmbito da cultura em que são produzidos. Dessa maneira, para essa mostra, a curadoria fez a seleção de desen-hos-pinturas, objetos e colagens virtuais que exploram a semântica dos últimos anos e da vasta produção da artista. Maneira fragmentada de trazer ao público a qualidade desse trabalho. Para tanto, aqui ofertamos três modulações do trabalho de Fabiana Queiroga; circularidades do artesanal ao design, do material ao virtual, do natural ao construído. E por que não dizer entre cultura e natureza?

 

Na primeira modulação, oito caixas de acrílico (épuras simplificadas) apresentam miniaturas de objetos híbridos que - em técnica de joalheria, criam infinitas possibilidades de ambiências em pequenas dimensões.Agenciamentos e interlocuções de um corpo ausente e feminino, que ora transita do doméstico aos espaços públicos, ora da natureza à artificialidade da representação. Composições que podem ser apreendidas como agenciamentos espaciais abstratos, mas não menos como composições figurativas de uma mulher contemporânea, cujos afazeres relacionam concomitantemente habilidades cotidianas e capacidade de programação.

 

Numa segunda modulação, quatro aquarelas foram escolhidas para apresentar os processos de concepção através do desenho e da pintura sobre papel. Nelas podemos perceber a presença da manufatura cuja programação encontrará desenvolvimento no diálogo entre design e natureza; o desenho como gesto de prospecção de atividades sucessivas de planejamento.

 

Em colagens virtuais, terceiro módulo dessa mostra, a projeção de fotografias como colagens visuais demonstram como a ampliação, ou redução, de suas peças pouco importam para a fenomenologia que produzem. Nestas, fundos de associações diversas expõem a potência de construção de significantes entre a artificialidade, o natural e a cultura.

 

Dessa maneira, acreditamos ter apresentado como Fabiana Queiroga, através de seus esforços compositivos, dilui barreiras entre conhecimentos de arte e ciência, design e estrutura. Assim, aproximando a produção em atelier do ambiente natural e vice-versa.

HYBRIDIZATIONS between Culture and Nature

 

Curatorship and Exhibition Design: Cristiano Lemes

 

Fabiana Queiroga’s practice has distinguished itself through its fluid movement across multiple disciplines of contemporary visual production, including art, design, fashion, and architecture. In doing so, her work embraces the multiplicity of perspectives these fields offer, continually reinventing itself. The artist develops hybrid exercises in which technology and craftsmanship merge to materialize simultaneous relationships between figuration and abstraction, design and nature, the individual and the collective, interior and exterior, atmosphere and structure—characteristics commonly presented as oppositions, yet manipulated by Queiroga as points of convergence.

 

Regardless of scale, the artist’s objects establish relationships that allow the viewer’s body to reconcile sensations of environment and materiality within the cultural context in which they are produced. For this exhibition, the curatorial selection brings together drawing-paintings, objects, and digital collages that explore the semantic universe of the artist’s recent years and extensive body of work. Fragmentary in nature, the exhibition seeks to offer the public an understanding of the richness and complexity of her practice. To this end, three modulations of Fabiana Queiroga’s work are presented here: circularities between craftsmanship and design, the material and the virtual, the natural and the constructed. And why not, ultimately, between culture and nature?

 

In the first modulation, eight acrylic boxes (simplified études) display miniature hybrid objects that, through jewelry-making techniques, generate infinite possibilities for spatial environments on an intimate scale. These arrangements and dialogues evoke an absent yet feminine body, one that moves between domestic and public spaces, between nature and the artificiality of representation. The compositions may be perceived as abstract spatial assemblages, but equally as figurative constructions of a contemporary woman whose daily activities simultaneously engage practical skills and technological programming.

 

The second modulation presents four watercolors selected to reveal processes of conception through drawing and painting on paper. In these works, the presence of craftsmanship becomes evident, anticipating developments that emerge through the dialogue between design and nature. Drawing appears as a gesture of inquiry, a projection of successive acts of planning and creation.

 

The third module of the exhibition consists of digital collages. Through the projection of photographic compositions, these works demonstrate how the expansion or reduction of scale is secondary to the phenomenological experience they produce. Diverse backgrounds and visual associations reveal the power of constructing meaning between artificiality, nature, and culture.

 

Through this exhibition, we believe it becomes evident how Fabiana Queiroga, through her compositional endeavors, dissolves boundaries between art and science, design and structure. In doing so, she brings the studio environment closer to the natural world—and vice versa.

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